Por que a neurociência é importante na pesquisa de mercado?

Por que a neurociência é importante na pesquisa de mercado?

Quem convive com os desafios de compreender o comportamento do consumidor conhece a grande dificuldade que é poder relatar comportamentos com um certo nível de precisão. Não é raro em pesquisas sensoriais e de preferência serem realizados testes estatísticos sem qualquer significância. Discriminar opiniões não é nada fácil.

A pesquisa de mercado sofre de um problema crônico: conseguir lidar com dados discretos e arbitrários. As famosas escalas são recursos muito importantes para medir comportamento. E os únicos recursos até hoje disponíveis para este fim. Quando montamos um questionário, utilizamos notas ou números que procuram expressar uma determinada magnitude. Contudo, dois indivíduos que fornecem a mesma nota, não significam necessariamente que possuem a mesma percepção do produto. O inverso também é verdadeiro. Já ouviram alguém dizer que não dá 10 para produto nenhum? Ou já passaram por situações onde o entrevistado quer adivinhar a nota mais apropriada para o estudo, em detrimento do seu pensamento? Quando avaliamos uma escala de satisfação com marcas, um sujeito oferece nota 8 e outro nota 9: o que exatamente representa esta unidade de diferença entre ambos?

Uma das características importantes da neurociência é oferecer dados contínuos aos estudos. Estes dados métricos conseguem fazer com que as análises estatísticas tenham maior sensibilidade. E a relação entre os dados obtidos não é arbitrária. Isso proporciona uma possibilidade estatística muito interessante. Os dados são mais sensíveis para testes de médias, por exemplo.

Quais seriam estes dados métricos? Estamos falando de escores de resposta galvânica da pele, quantidade de batimentos cardíacos, tempo de resposta em testes de associação, estatísticas visuais de um determinado estímulo, valores de modulagem em eletroencefalograma, mensuração de contrações musculares em eletromiografia, entre outros.

Outro ponto muito interessante que os dados contínuos obtidos na neurociência favorecem a pesquisa de mercado é que, graças a maior variação entre os valores coletados (variância), a amostra necessária para projetos pode ser menor. Isto significa dizer que a neurociência não somente oferece maior poder de mensuração, como pode trazer projetos mais baratos, devido a natureza contínua dos dados coletados. Diferentes das boas e velhas escalas.

Um terceiro ponto que justifica o uso da neurociência em pesquisa de mercado é a possibilidade de analisar os dados de resposta involuntária com o conteúdo declarado. O poder de insights desta análise muito grande!

Somente a propriedade contínua dos dados já faz a neurociência trazer avanços para a pesquisa de mercado!! E olha que nem falamos ainda do conhecimento aplicado de neuro.

Sobre o Autor

Airton administrator

Doutor em Psicologia pela USP, Mestre em Psicologia pela USP, MBA em Marketing pela USP, Administrador de Empresas pela Universidade Mackenzie. Mais de 15 nos de experiência em pesquisa de mercado, com trabalhos realizados para os segmentos farmacêutico, cosmético, químico, varejo, alimentos, entre outros.

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